Gravidez em Londres: o pré-natal
Gravidez e Maternidade Londres

Gravidez em Londres: o pré-natal

Descobrir uma gravidez por si só já é uma notícia daqueles que dá um baque e deixa todo mundo meio sem rumo – de um jeito bom, claro. Bate uma insegurança danada, um montão de dúvidas, de coisas a serem feitas e quando a gente está no exterior, ainda vem aquele medo que assombra: o que eu faço agora? Como funciona? Como vai ser o pré-natal, o parto, o pós-parto? Eu confesso que fiquei bem apavorada pensando nisso, mas garanto que foi tudo muito mais tranquilo do que eu imaginei e até acho que foi mais fácil levar uma gravidez em Londres do que seria no Brasil.

Vou contar pra vocês como foi a MINHA experiência e ressalto aqui que cada região faz as coisas de uma forma. Eu não sei como acontece o pré-natal em todos os lugares, então vou ser bem específica em relação ao que foi feito comigo, mas isso NÃO significa que esse seja o único jeito de as coisas acontecerem aqui, ok?

Antes de mais nada, é bom dizer que TUDO foi gratuito pelo NHS (National Health Service – Serviço Público de Saúde). Depois, que assim que se chega a Londres, você deve se registrar em um GP próximo a sua residência. Esse GP é como um posto de saúde, onde você consulta com um médico caso precise de algo sem muita urgência. Para pesquisar endereços próximos ao seu CEP, entre NESTE site. Este registro é fundamental, pois assim que você descobre a gravidez, o primeiro passo é ligar para o seu GP e informá-los. No meu GP, eles marcaram uma consulta pra mim na semana seguinte. Em alguns outros, eu sei que eles já te falam por telefone que só depois de 10 semanas de gestação é que vão entrar em contato com você. Isso, porque até esse tempo, infelizmente é muito comum que a gestação seja interrompida por um aborto espontâneo.

 

 

Na minha consulta, o médico só tirou minha pressão, pesou e explicou mais ou menos como as coisas iriam acontecer dali em diante. Bastou dizer que fiz um teste de farmácia e ninguém me mandou fazer exame de sangue nem nada pra confirmar. Ele me disse que lá para as 10 semanas de gestação eu iria receber uma carta com uma data para a minha primeira consulta com uma midwife (as obstetrizes em Londres) e que era pra aguardar.

*Aqui, são as midwives que te acompanham durante toda a gestação. Obstetra é só em casos extremos meeesmo. No meu caso, cada consulta foi com uma pessoa diferente, mas em raros casos, é uma mesma midwife que te acompanha do início ao fim. São elas que fazem os partos, inclusive.

Quando completei 6 semanas, sofri horrores com hiperêmese gravídica e precisei ficar internada de um dia pro outro no hospital. Fui até a emergência numa noite, no desespero, pois não conseguia nem beber água e estava tão fraca que não dava pra ficar de pé… Eles me examinaram na triagem e logo me internaram. Só saí de lá quando consegui comer e quando fiquei hidratada novamente. Quando fui dispensada, me deram alguns remédios que salvaram a minha pele (e quando digo deram, é porque deram mesmo, de graça).

Quando completei exatamente 10 semanas, recebi uma carta com uma data e horário para ir até o hospital da região (Royal London Hospital), onde eu faria meu “one stop booking appointment”, que consistiria em uma consulta com uma midwife, um utrassom e exames de sangue. Ficaria lá por mais ou menos três horas. Em alguns locais, você consulta com a midwife no próprio GP em um dia e faz o ultrassom (ou scan) em outro dia no hospital.

Nessa consulta, uma midwife italiana simpática me explicou tudinho como seria daquele dia em diante. Me entregou uma pastinha roxa (o maternity notes) que seria meu melhor amigo durante os próximos meses e que iria carregar toda a minha história para quem quer que fosse me atender, saber tudo o que havia acontecido comigo durante a gravidez. Tudo de todas as consultas era anotado ali: minha pressão, o que havia sido conversado, exames feitos, TUDO! Ela também me inscreveu em aulas de pré-natal, me deu vitaminas, perguntou um montão de coisas sobre mim e minha família, fez teste de nível de poluição no meu organismo e tirou minhas dúvidas. Dali parti para meu primeiro scan (dos únicos DOIS oferecidos para quem tem gravidez de baixo risco – nas 12 e 20 semanas)… Vi minha pequena mexendo as perninhas e se revirando na minha barriga, mas obviamente ainda não senti nada. Fiz alguns exames de sangue e pronto.

 

Meu melhor amigo durante os meses de gestação.
Meu melhor amigo durante os meses de gestação (esqueci de tirar foto do meu, infelizmente).

 

No maternity notes estavam anotados todas as semanas em que eu deveria ligar para o meu GP para marcar consultas com a midwife. Fui a todas elas, conheci acho que três meninas diferentes que me atenderam muuuito bem e aquele medo de não ter um mesmo médico o tempo todo, acabou sumindo e eu fiquei muito tranquila. Durante os nove meses, fiz um montão de exames de sangue, exames de urina em todas as consultas, sempre mediam a altura do meu útero para saber mais ou menos o tamanho do bebê e ouviam o seu coração. Fui tão bem atendida que fui me sentindo cada vez mais confiante.

Cesariana não é bem uma opção aqui… Eles te oferecem três escolhas de locais para parto normal: parto domiciliar, hospitalar ou em casa de parto (que pode ser acoplada a um hospital ou isolada, as chamadas “freestanding midwifery units”). Cesariana, até onde eu sei – e eu posso estar errada -, é oferecida somente para gestações de risco e acontecem em situações de risco durante o trabalho de parto. Eu nunca tive dúvidas e desde a primeira consulta já sabia que iria ter meu bebê em uma casa de parto. A da minha região era uma das melhores de Londres, a Barkantine Birth Centre, mas mais sobre o parto eu falo em outro post.

Se eles desconfiam de algum problema, eles te oferecem mais scans do que os dois de costume ou mais exames. Eles acompanham muito direitinho, mas não têm lá muitas frescuras. Gravidez aqui não é tratada como doença e é até bom dizer que praticamente tudo aqui é considerado “normal” (essa vai ser a coisa que você mais vai ouvir como resposta para suas dúvidas).

No ultrassom de 20 semanas, eles fazem análise completa do feto e se o casal quiser saber o sexo do bebê e se ele estiver em posição propícia para isso, eles te falam o sexo. Caso esteja difícil, eles não costumam esperar ou tentar ver, já que esse não é o propósito do exame. Eu sempre soube que teria uma menina, mas como sou muito ansiosa, resolvi fazer um scan particular com 18 semanas pra confirmar meu palpite: era mesmo uma menininha! No scan de 20 semanas eles confirmaram.

Quando tinha 28 semanas, as aulas do pré-natal começaram na clínica onde eu iria ter minha filha e foram bem legais… Fiquei mais ansiosa ainda, mas ajudou bastante. Para poder ter minha filha na casa de parto (birth centre), eu tive que fazer uma consulta com 36 semanas para ser admitia lá. Eles tinham algumas condições, como o bebê já estar encaixado e ser uma gestação de baixo risco… Tudo estava certo e a partir de 37 semanas eu já poderia ter minha filha lá. Não sei como as coisas acontecem em outras casas de parto. Durante a gravidez eu pude visitar a casa de parto e o hospital para decidir direitinho o que iria querer fazer.

 

A casa de parto onde escolhi ter minha filha (foto do site).
A casa de parto onde escolhi ter minha filha (foto do site). Eram apenas 5 quartos, todos enormes e com uma varanda gigantesca!

 

Ah! Vale dizer que grávidas têm medicamentos de graça pelo NHS (somente aqueles que são prescritos pelo médico) e essa gratuidade vale até seu filho completar um ano. Para poder usufruir deste benefício, você deve perguntar no seu GP como fazer a carteirinha do “maternity exemption” e já pedir logo na sua primeira consulta.

E foi basicamente isso… Fiz muitas consultas, exames de sangue quase toda semana, exames de urina, ultrassom, etc. Bem tranquilo, tudo que eu perguntava era respondido de forma atenciosa e tudo que precisei fazer foi bem feito.

Tem alguma dúvida? Deixei aí nos comentários e eu TENTO te ajudar. Nos próximos posts eu vou falar sobre o parto e sobre o pós-parto, não deixe de assinar o blog ali no canto direito pra não perder nada. 😉

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09 Comments

  1. Angela Carvalho Jatobá

    Menina…!!! Não tem nem como comparar essa realidade daí com a nossa aqui no Brasil …!!! Você é uma pessoa de sorte por estar aí sendo atendida nessas condições maravilhosas !!! Parabéns pela sua escolha de morar em Londres esse privilégio !!! Você já esqueceu como é no Brasil ?…aqui você só teria um tratamento bom se tiver muito dinheiro para pagar os melhores hospitais e melhores médicos ….!!! Esqueça esse país chamado Brasil , pois está cada dia pior em todos os sentidos !!! Infelizmente !!! Parabéns por ser “mamãe “…!! Abco Angél Jatobá

    21/03/2017 Responder
    • Luiza Ferrari

      Oi, Angela.

      O que eu quis dizer é que não sei como funciona pra ter filho no Brasil, já que nunca tive. O resto eu sei bem como é e como tem sido.
      Todo lugar tem seus prós e contras. Em Londres também não foi tudo perfeitinho, sabe. No próximo post eu vou contar sobre o parto e é aí que a coisa “desanda”.
      Obrigada! 😉
      Um abraço

      21/03/2017 Responder
  2. Ingrid

    Oi Luiza
    Post muito legal, curto quando vc fala de como as coisas se processam aí.
    Eu particularmente jamais teria um parto normal coisa muito comum na Europa e em certos países europeus até é vedado o direito de escolha da parturiente coisa que acho absurdo, levando em conta que deveria ser a primeira a opinar.
    Por favor escreva mais sobre o cotidiano e hábitos ingleses se puder pois sou curiosa já que nunca fiquei tempo o bastante na Inglaterra para vivenciar isso.
    Adoro seu blog.
    Bjs

    21/03/2017 Responder
    • Luiza Ferrari

      Ingrid,

      na Inglaterra a cesariana tb não é uma opção, salvo em casos de emergência ou risco. Eu jamais teria uma cesariana, então isso não me incomodou 🙂
      Sobre o que vc gostaria de saber mais? Pode dar dicas pra eu escrever, se quiser.
      Bjinho

      24/03/2017 Responder
      • Ingrid

        Oi Luiza
        Gostaria que se aprofundasse nas diferenças culturais entre Brasil e Inglaterra tais quais como é se socializar e fazer amigos, os produtos mais usados, a diferença gastronômica, preconceito caso exista.
        Sei que vc escreveu um post com algumas diferenças mas se puder se aprofunde um pouco mais nas suas impressões.
        Eu nunca fiquei tempo demais em Londres para notar essa diferença já que era apenas uma turista com pouco tempo disponível e tudo era novidade.
        Uma das minhas curiosidades é o convívio pois achei os ingleses super simpáticos e prestativos quando precisei de alguma informação aparentemente me pareceram amistosos mas não sei se seria fácil fazer ou aprofundar vínculos.
        Quanto a política de parto eu conheço e não concordo rsss.
        bjkas

        24/03/2017 Responder
  3. Angela Carvalho Jatobá

    Olá Luiza …eu sou Angél ..tudo bem ?.como posso saber sobre dicas onde estudar inglês em Londres e hospedagem mais barata ? Agradeço as informações …abço

    24/03/2017 Responder
  4. joão V. de souza

    Olá, Luiza, Tudo bem?
    Primeiramente, parabenizo-a pela inciativa. Sem dúvidas é uma grande ajuda para quem pretende ir à Inglaterra, mesmo que seja à turismo. Mas eu gostaria de lhe perguntar o seguinte, o seu filho por ter nascido na Inglaterra, mesmo sendo de pais brasileiros é um cidadão britânico para todos os efeitos? E os pais? Depois de terem um filho britânico, se for o caso, passam a ter algum tipo de privilégio em relação a situação anterior? Obrigado!

    14/05/2017 Responder
    • Luiza Ferrari

      Oi, João.
      Obrigada pelos parabéns 🙂

      Eu sou italiana e meu marido é brasileiro. Ela nasceu tendo as duas cidadanias e também a inglesa, mas só pq nós moramos na Inglaterra há mais de 5 anos quando ela nasceu. Funciona assim aqui, ninguém nasce já sendo inglês se os pais não estiverem morando aqui há esse tempo.
      E nada muda para os pais, pelo menos não que eu saiba.

      17/05/2017 Responder

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